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sábado, 14 de janeiro de 2012

Não basta abrir a janela

"Não basta abrir a janela 
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela. "



Alberto Caeiro

terça-feira, 27 de setembro de 2011

"Tudo caminhando num processo longo de ser gente"





                                                                                                                  Lulu Santos

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Caixa Mágica: das coisas que guardamos

Caixa Mágica: das coisas que guardamos: . Um belo dia você acorda decidida esquecer das noticias e ausências que te feriram tanto. Levanta e vai levando a vida lembrando, querendo esquecer. Vai à padaria ou até o ponto de ônibus querendo sentir o cheiro de encanto. Mas só sente o cheiro de lembrança. É que quando dói demais a gente não acredita que um dia a dor passa, mesmo que todo mundo fale. Mas passa. De verdade. É que a vida tem mesmo dessas voltas e acreditar nas pessoas e nas suas boas intenções ainda vale a pena. Porque simplesmente ainda existem pessoas que acreditam como você.

Dai você olha pra sua vida e aceita a mistura de mulher cheia de pé no chão, brava e meio esquisita com uma menina cheia de sonhos e brigadeiros. Um jeito meio Amelie que pode mudar tudo, até os sonhos

Alguns sorrisos no meio do caminho te confundem ainda com a decisão da mudança. E trazem oque tanto você queria esquecer. Mas lembra também dos sorrisos daqueles que se reegueram por problemas resolvidos maiores que o seu. E sorri de volta, como quem agradece o pensamento mandado por algum anjo bom. E lembra-se do erros, mas não esquece que não errou sozinha. E você não tem que mudar de casa, nem de rua, nem rosto, você tem que mudar seu pensamento. Ser gentil com seus erros, ajuda a corrigi-los. Te corrigir pro melhor que a vida está te preparando.

E a vida sempre estende a mão pra quem ciranda com ela. E então, sua história muda, orgulhos e tristezas são sentimentos feitos pra deixar de lado. Afinal e ainda bem, sentimento também muda!

A gente lê Caio Fernando, Tati Bernardi e Clarice e se reconhece acreditando que são eles que têm a cura pra dor. Podem até ajudar, menina. Mas nesse poço que você adora pular de vez em quando, só cabe você. Melhor ser esperta e ajudar outras pessoas a gostar de você. Nem Caio, nem Tati e Clarice vão te ajudar. O problema é teu. Resolva. E toma conta do teu coração pra não se esfolar de novo.


Dores vão e vem, mas enquanto tiver um sorriso no meio do caminho, um ombro pra encostar, uma piscada pra esquecer, um céu azul, uma janela aberta e um amanhecer de primavera você vai querer se reerguer e ver que quem perdeu não foi você

Aprende menina, alguns sorrisos recebidos na vida não foram feitos pra lembrar. Foram pra guardar. No coração

|vanessa leonardi|






Marisa Monte


sábado, 3 de setembro de 2011

"Ode à família"


 
"Logo não terei mais a desculpa dos outros: pai e mãe amorosos ou hostis, bondosos ou indiferentes, sofrendo de todas as naturais fraquezas da condição humana que só quando adultos reconhecemos. Por fim havemos de constatar: meu pai, minha mãe, eram apenas gente como eu. Fizeram o que sabiam, o que podiam fazer. E eu... e eu?
Marcados pelo que nos transmitem os outros, seremos malabaristas em nosso próprio picadeiro. A rede estendida por baixo é tecida de dois fios enlaçados: um nasce dos que nos geraram e criaram; o outro vem de nós, da nossa crença ou nossa esperança."

                                                                                          Lya Luft
                                                                                                              


Cramberries



domingo, 14 de agosto de 2011

Pra você me entender (porque não sei se você entende...)

"Todos nós somos assim, frágeis, em circunstâncias que fogem ao nosso controle. São as tais ressalvas. A maioria delas provocada à força, quando somos revisitados pela mesma velha, humana e implacável sensação de abandono."
(Fernanda Young)
                         

                                                              ... e porque eu já consigo me entender!





segunda-feira, 25 de julho de 2011

Bom dia!



"Hoje eu quero (re) harmonizar o que dentro de mim está precisando, aquilo que está desordenado pra que eu volte a ter o direito de me alegrar."
Pe. Fábio de Melo

domingo, 24 de julho de 2011

Recomeço



"Não é preciso agendar, entrar em fila, contar com a sorte, 
acordar cedo para pegar senha: a possibilidade de recomeço
está disponível o tempo todo, na maior parte dos casos.
Não tem mistério, ela vem embrulhada com o papel bonito 
de cada instante novo, essa página em branco que olha pra 
gente sem ter a mínima ideia do que escolheremos escrever
nas suas linhas.
O que é preciso mesmo é ter coragem para abrir o 
presente."

(Ana Jácomo)

 Blog: Cheiro de Flor quando ri

sábado, 22 de janeiro de 2011

Nada sei. De nada. Contemplo...

"A poesia não é uma liberação da emoção, mas uma fuga da emoção; 
        Não é a expressão da personalidade, mas uma fuga da personalidade. 
                  Naturalmente, porém, apenas aqueles que têm
personalidade e emoções sabem o que significa
querer escapar dessas coisas."
                            T. S. Eliot

sábado, 30 de outubro de 2010

Invictus

 















"Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma."

Autor: William E Henley                                  
Tradutor: André C S Masini

sábado, 9 de outubro de 2010

http://diariosdeumadesconhecida.blogspot.com/

"Meu querido, 

Eu lhe escrevo todos os dias. Prova evidente do meu exagero afetivo. Às vezes, são apenas bilhetes, frases curtas, abobrinhas sentimentais, aforismos, notificações de como foi meu dia ou apenas palavras que desenho no ar e depois sopro na esperança de que cheguem aos seus ouvidos. Outras vezes, são cartas imensas. Geralmente narrativas sem importância, episódios banais, destinados a preencher os vazios e as ausências que lentamente compõe esse drama. Resíduos de dias inteiros sem a sua presença e com peito abrasado pelos pedaços dessa tristeza surda.  

Cartas que eu nunca mandarei.  Sentimentos que você nunca saberá. É egoísmo não remetê-las. Quando você remete uma carta ela deixa de ser sua. Você transfere uma parte de si para o outro e tem escassas possibilidades de retificação. Eu não receberei as suas pelo simples fato de você nunca ter me escrito, talvez porque você não queria mesmo deixar nenhuma parte comigo ou talvez por não haver mesmo o que dizer. Você não receberá as minhas cartas organizadas cronologicamente e tão manuseadas, como livros que se folheia com freqüência na esperança de encontrar um conforto entre suas páginas ou quem sabe uma resposta irrefutável. As releio quando os vôos da mente não me bastam. Ou quando sinto uma vontade infinita de te telefonar e não tenho direito algum nesse ato.

Sempre achei estéril nossas palavras distantes, comecei a lhe escrever cartas para dar visibilidade a esse amor. Lia nossa correspondência nervosa.  Nossas mensagens eletrônicas na tela fria do computador, as conservei por anos imaginando apertá-las contra o coração. Como se faz com as fotos de pessoas queridas. Um dia, bastou um clic seco, repentino e impensado. Apaguei todas com um gesto simples do mouse: chegou um dia que a sua ausência ficou insuportável. Nunca me arrependi, mas decidi manter esse amor que não vingou em algum lugar, só para que existam vestígios dele. Desde então, te escrevo as cartas. Como num arquivo perfeitamente organizado, nesses pedaços de papel ordeno minha vida. Poderíamos dividi-los por assuntos ou em ordem alfabética. Um alfabeto das emoções. Aquelas que se vêem em diários escolares de páginas em branco e com margem cor-de-rosa. Para preencher com sonhos e com a certeza de te perder sem um dia te ter tido.

É que  o amor não passa. Muda de direção."


[ Lia Araújo]

Extraído de: http://diariosdeumadesconhecida.blogspot.com/

Mas pra escrevê-lo, ela deve ter lido meu coração... só pode!


domingo, 19 de setembro de 2010

"Quando chegar o momento, morrerei por alguma das mazelas desse mundo, menos por covardia afetiva. Desse mal, de antemão, eu sei que não morro. Não mais."
                                                      Ana Jácomo

sábado, 19 de dezembro de 2009

"Pensar é transgredir": penso, transgrido e por isso, vivo.

Estava lendo trechos da Lya (Luft). Identifiquei-me. De novo. Tive a confirmação de que trilho o caminho certo. E caminho certo é aquele... incerto mesmo, que se faz caminhando, já disse alguém. Lya, mulher que vive das palavras, que fala de suas dores, medos, desejos, assume suas fraquezas, expressa o que sente e o que pensa, assumidamente. Longe de mim, comparar-me a ela - até gostaria de ser a escritora que ela é (não pelo sucesso, mas pela invejável capacidade de dominar a escrita) - mas ela também é referência para mim. Me ajuda a entender que tem mais gente igual a mim, que aqueles que são diferentes, não são melhores e nem estão mais certos que eu. Até porque afirmo, com orgulho, que já superei a limitação de achar que existem certos e errados! Ou melhores e piores. Simplesmente somos diferentes. Plagiando não sei quem: "cada um com seu cada qual". Entender-me, aceitar-me, assumir-me é vitória que conquistei. É libertação! É também mais motivo para críticas... mas... isso não é barreira. Ao contrário, é trampolim.
"Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado. Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança." Lya Luft